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Home Artigos D. Alberto O ANÚNCIO DA PÁSCOA – Por Dom Alberto Taveira Corrêa

A Páscoa é o coração da vida da Igreja e o acontecimento mais decisivo de toda a história, pois ela leva à plenitude todas as esperanças humanas, plantadas por Deus na criação. Passar das trevas para a luz, da tristeza para a alegria, do pecado à graça, da morte à vida. A partir da manhã jubilosa da Ressurreição de Jesus, a Boa Nova se espalhou, destinada a chegar aos confins da terra, através da Pregação do Evangelho, do Testemunho da Vida Cristã e da Comunhão, Serviço humilde e Diálogo com todas as gerações de homens e mulheres que vierem a habitar esta terra de Deus!

Os fatos! A fé cristã se reporta ao testemunho de homens e mulheres que efetivamente viram o Senhor. Se desde o princípio e até hoje correm interpretações tendentes a diminuir a proclamação da verdade, este é o tempo propício para acolhermos o que experimentaram as pessoas envolvidas nos acontecimentos, tornando-se discípulos e discípulas, para comunicar a todos o anúncio central. “O anjo falou às mulheres: Vós não precisais ter medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! Vinde ver o lugar em que ele estava. Ide depressa contar aos discípulos: ‘Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis’. É o que tenho a vos dizer”. E saindo às pressas do túmulo, com sentimentos de temor e de grande alegria, correram para dar a notícia aos discípulos. Nisso, o próprio Jesus veio-lhes ao encontro e disse: “Alegrai-vos!” Elas se aproximaram e abraçaram seus pés, em adoração. Jesus lhes disse: “Não tenhais medo; ide anunciar a meus irmãos que vão para a Galileia. Lá me verão” (Mt 28, 5-9). Galileia era lugar de convivência e aprendizado. Era por lá que foram tocados todos eles pelo Senhor. A Galileia para nós é hoje o desafio do quotidiano, onde o Senhor se faz presente e continua provocando à missão quem entrou no caminho do discipulado.

“Simão Pedro chegou e entrou no túmulo. Ele observou as faixas de linho no chão, e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e acreditou” (Jo 20, 6-8). Duas provas! Um sepulcro vazio e o testemunho de Simão Pedro. A Igreja se sustenta assim! E para nós é suficiente para acreditar!

No entanto, multiplicam-se desde a primeira horas, as experiências da presença do Senhor Ressuscitado: “Jesus perguntou-lhe: ‘Mulher, por que choras? Quem procuras?’ Pensando que fosse o jardineiro, Ela disse: ‘Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo’. Então, Jesus  falou: ‘Maria!’ Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: ‘Rabuni!’ (que quer dizer: Mestre). Jesus disse: ‘Não me segures, pois ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’. Então, Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: ‘Eu vi o Senhor’, e contou o que ele lhe tinha dito” (Jo 20, 15-18). Todos nós somos convidados a entrar numa fila para dizer “Eu vi o Senhor!”. Em Madalena, vemos todas as pessoas que venceram o medo e a timidez, testemunhas qualificadas, de hoje e de sempre, e tantas delas derramaram até o próprio sangue, suor e lágrimas. De Maria Madalena para cá, ele continua falando de inúmeras maneiras! Ele se faz vivo em sua Palavra, no irmão que se achega a nós, entre os que se reúnem em seu nome, na intimidade do silêncio orante, na Palavra da Igreja e na maior exuberância de sua presença, a Eucaristia.

E o Senhor apareceu várias vezes aos discípulos, como no caminho de Emaús, no Cenáculo ou à beira do Lago de Genesaré. Voltando ao Pai, entregou a visibilidade de sua ação aos discípulos de todos os tempos, e estamos aqui, de novo, na Páscoa, em 2017!

E as consequências? Seus discípulos, antes temerosos, depois de receberem o Espírito Santo no Pentecostes, lançaram-se à missão evangelizadora. A vida de cada pessoa que a ele se converte vem a ser totalmente mudada, no acolhimento do amor de Deus, que leva a reconhecer sua condição de pecado e fraqueza, recebendo Jesus Cristo como Salvador pessoal, convertendo-se a ele e professando a fé. Como os primeiros discípulos, acolhe o dom do Espírito Santo derramado sobre a Igreja, vive em Comunidade com os irmãos de fé e se lança corajosamente no anúncio e testemunho de Jesus! O pano de fundo de todo este caminho é viver a novidade de vida, recebida na Páscoa pessoal, que é o Batismo: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus; cuidai das coisas do alto, não do que é da terra. Pois morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, cheios de glória” (Cl 3, 1-4).

O que desejar na Páscoa que se celebra a partir da tarde da Quinta-feira Santa? Venham todos, como aqueles discípulos da primeira hora preparar a Páscoa, venham para um “andar de cima” (Cf. Mc 14, 15). Deixemos para trás as sujeiras do pecado e da maldade! Testemunhemos o mandamento do amor, o lava-pés e a instituição da Eucaristia. Encontremos nosso lugar no Cenáculo. Na sexta-feira santa, vamos ao Calvário com Jesus, sem fugir da Cruz, que é a fonte da Misericórdia, o Trono da Graça. E com nossas velas acesas no Círio Pascal de Cristo, Luz do Mundo, ouçamos as Palavras da Escritura na Mãe de todas as Vigílias, renovemos nossos compromissos batismais e vamos à mesa eucarística, para celebrar as alegrias da vida nova, dom de Deus que se faz presente! Afinal de contas, a Páscoa é celebrada por causa de cada um de nós, a nosso favor e nosso proveito!

E a cada Domingo, Dia do Senhor, nossa Páscoa semanal, estaremos de novo presentes em nossas Comunidades e Paróquias, para reconhecê-lo vivo, com toda a força de sua vitória sobre a morte e sobre o pecado.

Santa e feliz Páscoa, com Cristo ressuscitado!

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